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    Educação Ambiental


Bruno do Nascimento

Diário de Petrópolis

24/08/2003

Mesmo inexistindo uma política educacional que permita aos alunos terem noções de meio ambiente permeando as matérias do cotidiano, Petrópolis tem diferentes atores sociais engajados nesta questão.

O trabalho da professora de geografia Fátima Moebus, é um exemplo a ser destacado. Lecionando em diferentes escolas da cidade, a Professora Fátima Moebus vem inserindo nas suas aulas questões de meio ambiente. Ano passado na Escola Municipal Rosemira de Oliveira Cavalcanti, no Itamarati, os alunos participaram de uma série de oficinas sobre reciclagem de lixo. Naquele momento, os alunos fizeram objetos com materiais reaproveitados e a interação dos alunos com o processo foi o que mais chamou a atenção.

Esse ano a equipe de geografia da Escola resolveu abordar a água como o tema de especial interesse para os alunos. Participam do projeto pedagógico, alunos da 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. "A água e o uso racional: uma questão de sobrevivência para a humanidade", este é o tema do projeto.

Segundo a Professora Fátima Moebus, "Nós, brasileiros, costumávamos pensar que a água nunca acabaria. Isto porque há no Brasil um grande número de rios caudalosos sendo o maior de todos o Amazonas, a maior bacia do mundo em volume de águas". Contudo, hoje a poluição e a alteração no volume de água em muitos rios, principalmente aqueles próximos à grandes cidades, nos mostram outra realidade: se não usarmos a água de forma responsável, ela fatalmente vai faltar para as gerações futuras. Reynaldo Barros, presidente do CREA-RJ e do Movimento Estadual de Cidadania pelas Águas, afirmou no II Seminário Água é Vida, realizado em maio no LNCC que: "Todos os cem mil cursos hídricos, entre rios, lagos, córregos e lagoas encontram-se de alguma forma poluídos. Estima-se que 25% das águas subterrâneas já estejam, portanto, também contaminadas. 1 litro de esgoto doméstico consome cerca de 300 - 400 miligramas de oxigênio das águas de um rio. São necessários 45 litros de água só para atender a demanda bioquímica de oxigênio necessária à decomposição de 1 litro de esgoto in natura".

Ainda de acordo com Reynaldo Barros, a pobreza combinada com baixos índices de saneamento básico é responsável pela morte de uma criança a cada 10 segundos. No Brasil uma criança morre a cada 24 minutos por causa da diarréia.

Segundo o Professor Átila Calvente, professor de Economia da UCP e coordenador do Programa de Educação Ambiental Pé no Chão, o processo econômico hoje só faz sentido prático se levarmos em consideração a preservação, conservação, proteção e recuperação de todas as formas de vida em si. Para que isso ocorra precisamos em primeiro lugar cuidar melhor de nossas crianças e de nossos recursos hídricos. Eles são os verdadeiros pilares de uma sociedade sustentável.

De acordo com Átila Torres Calvente, "Todos que pensam hoje na questão ambiental sabem que devemos ampliar de forma interdisciplinar nossa abordagem sobre a realidade concreta. Assim, ética, educação, economia e ecologia são disciplinas que devem integrar um espectro teórico mais amplo, quando desejamos construir bases mais sólidas de sustentabilidade local em municípios de pequeno e médio porte em qualquer região do mundo".
Ainda para o Professor Átila Calvente, não parece ser muito difícil aceitar a idéia de que a melhor estratégia e a ferramenta mais adequada para construção de um país é a educação pública de qualidade. Além disso, ela pode contribuir para a redução dos investimentos improdutivos e das despesas operacionais supérfluas da sociedade visando ainda à diminuição dos diversos custos de controle social e da violência urbana. Pode também evitar o aumento de gastos públicos com tribunais, polícia, penitenciárias, estruturas de hospitais, despesas com programas assistencialistas, uma verdadeira bola de neve que tende a aumentar impostos num momento que precisamos, como nunca, gerar atividades econômicas produtivas para criar pelo menos dois milhões de oportunidades de trabalho para a população brasileira a cada ano.

Outro exemplo de preocupação com meio ambiente e com a formação de jovens é dado pelo curso de técnicos em química do Colégio Estadual Dom Pedro II. De acordo com o Professor de química, Fred Lima Sobrinho, um dos coordenadores do curso, o curso é o único mantido atualmente pelo Governo do Estado que formam profissionais nesse setor. E o técnico em química, assim como os engenheiros e químicos em si, são os profissionais que por Lei tem o dever de cuidar da qualidade das águas. Seja água de beber, piscina ou da produção industrial e agrícola.

Na semana do químico, comemorando a data de 18 de Junho, estiveram no salão nobre do colégio diversos profissionais que deram palestras sobre os recursos hídricos. Desde a microbiologia da água, passando pela água de abastecimento público até o tratamento de esgotos realizados na cidade.

A semana serviu para envolver os alunos num projeto de educação e preservação ambiental, que está sendo proposto pelo colégio ao Conselho Gestor da Apa-Petrópolis. O Projeto consiste no monitoramento da qualidade das águas dos rios e a montagem de um banco de dados sobre os índices de poluição na cidade. As principais dificuldades para a realização do projeto até o momento são os custos das análises propriamente ditas.

Equipamentos sofisticados, geralmente, são importados e custam muito caro, além dos equipamentos existe também o custo com a compra de reagentes, que também são importados. Talvez uma forma de resolver o impasse é fazendo parcerias com empresas nacionais que tenham responsabilidade social e possam doar parte dos equipamentos de análise para o colégio. O Interessante do projeto é que o colégio poderia atender no seu próprio laboratório a mais de 60% dos alunos durante o período de estágio. A intenção é através da Apa-Petrópolis realizar uma parceria com o IBAMA para que os estágios possam ser remunerados, afirmou Fred Lima Sobrinho.

Ainda de acordo com o Professor Fred, como os alunos estão muito entusiasmados com a proposta do projeto, algumas análises preliminares já começaram a ser realizadas com os equipamentos disponíveis no próprio colégio. Desta forma, foram feitas análises do rio Quitandinha na altura das Duas Pontes. E com a prática e segurança dos alunos na realização dos exames a intenção é ampliar as análises para mais 15 pontos distintos da cidade.

O Professor Átila Torres Calvente diz que: "O desenvolvimento humano é a estratégia do desenvolvimento econômico. Da mesma forma que as plantas precisam de cuidado, nutrientes em quantidade e qualidade diversificada, solo fértil e água, as crianças e jovens precisam de conhecimento e afetividade". E concluiu alertando que a sociedade de amanhã será aquilo para que a educarmos hoje.


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