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Bruno do Nascimento

Diário de Petrópolis

24/08/03

O verão europeu vem provocando uma brusca mudança de temperatura, tanto no ambiente natural quanto nas estruturas políticas. Essa semana na França o diretor-geral de saúde, Lucien Abenhaim, renunciou ao cargo em virtude das mortes provocadas pela forte onda de calor que afetou principalmente a população mais idosa. O governo francês admitiu que o número de mortes pode ser superior a cinco mil pessoas.

A crise é tão grande, que o governo francês pela primeira vez, em décadas, autorizou as Usinas de Energia Atômica a funcionarem em plena potência, e despejarem as águas aquecidas pelo resfriamento das unidades de produção diretamente nos rios, sem tratamento prévio. O fato gerou polêmica e ambientalistas franceses estão protestando veementemente contra a medida.

A Europa passa nesse instante por uma série crise no abastecimento de água. Os principais rios da Itália estão praticamente secos e em alguns locais foram decretados Estado de Emergência. Devido à pouca água que corre nos rios da Europa é fácil compreender a revolta dos ambientalistas. A elevação da temperatura da água por despejo industrial e a constância desse efeito altera a cada 4º C o ecossistema. Ou seja, a elevação da temperatura das águas dos rios afeta diretamente a fauna e a flora fluvial. Esse procedimento é conhecido por poluição térmica. Muito provavelmente, o aumento da temperatura na Europa possa ser o resultado mais evidente do efeito estufa. Efeito global gerado principalmente pelos gases das industrias dos países industrializados.

Mesmo sem ter despejos de água fervendo dentro dos rios da cidade, Petrópolis também sofre com despejos industrias. Estima-se que cerca de 200 empresas sejam potencialmente poluidoras dos rios no município. Desde as fábricas têxteis, passando pelas estamparias, postos de gasolina, lavanderias, laboratórios de análises clínicas até empresas de alimentação.

Rios como o Paulo Barbosa, na Mosela e Palatinato, no Morin deveriam entrar para algum concurso de arte surrealista no país. Afinal, reproduzem também as cores do arco-íris, claro que em períodos alternados do dia. O rio Piabanha que tem o seu nome originado no peixe da região que em tupi-guarani significa: "o que é manchado", não esperava ficar manchado com tantas cores inusitadas durante o dia. Até mesmo os índios coroados, que viveram nesta região, e usavam o timbó (espécie de seiva vegetal usada para desnortear os peixes sem fazer mal à saúde humana) nas águas dos rios para pescar, imaginariam que fosse possível colorir e descolorir um rio tantas vezes ao dia.

Por outro lado, não se pode esquecer que temas como consciência ambiental e responsabilidade social estão sendo incorporados ao dia-a-dia das empresas instaladas em Petrópolis. E existem empresas que estão dando exemplo de controle ambiental a ponto de darem inveja a empresas instaladas nos países desenvolvidos.

Exemplo deste trabalho pode ser citado como a Werner Tecidos, dirigida pelo empresário Ludovico Landau Remy, descendente de alemães da região de Saarbrücken, Estado do Sarre, na fronteira com a França. O rio Sarre que dá nome ao estado alemão é um dos afluentes do rio Mosela, região de onde se originaram os imigrantes alemães que ajudaram a fundar Petrópolis. A Werner Tecidos destacou-se na cidade por ser uma das pioneiras no tratamento de efluentes industriais, isso ainda na década de 80. A Werner até mesmo já ganhou prêmios da Confederação Nacional da Indústria, em virtude da sua renomada consciência ecológica e social. Como resultado desta preocupação a empresa devolve ao rio uma água muito mais limpa do que a capta para o seu processo industrial.

Além da Werner, outras empresas da cidade têm se destacado no tratamento de seus efluentes. Corre uma história na cidade, à boca pequena, que uma grande empresa do ramo metalúrgico, passou por uma situação inusitada: a empresa já tinha atendido as normas dos órgãos ambientais do Estado para tratamento de efluentes e havia passado com louvor na inspeção. Contudo, logo depois ela foi adquirida por um grupo multinacional, que tem normas ambientais próprias mais rigorosas do que as exigidas pela legislação brasileira. E assim que assumiram o controle da empresa, resolveram implementar essas novas normas. A história espalhou-se e chegou ao conhecimento dos órgãos do Estado responsáveis pela inspeção. Eles fizeram outra vistoria na unidade, crédulos que haviam deixado passar alguma avaliação desapercebida. É claro que estava tudo em ordem, ou melhor, acima das exigências cabíveis.

Histórias existem muitas pela cidade, mas o certo é que as empresas em Petrópolis, estão dando grandes exemplos. Há cerca de dois anos a Sola Optical, no Duarte da Silveira, instalou um compressor de ar, que dava um ruído muito grande e a noite ecoava pela vizinhança. Os moradores da Mário Gelli, começaram a reclamar do barulho que se fazia a noite e mobilizaram-se junto a Uni-Fampe para tomar as medidas cabíveis afim de parar com o barulho. A grande surpresa de todos foi à forma como foram atendidos pela diretoria da Sola Optical que num prazo menor do que o estipulado, fizeram cessar o barulho. A interação da empresa com a comunidade local é sem dúvida digna de nota. Além dessa interação com a comunidade a Sola também trata dos seus efluentes industrias minimizando os impactos no rio Piabanha.

E os casos em Petrópolis de empresas que tratam de seus efluentes podem ser contados as dezenas, citando entre eles: GE Celma, Cervejaria Itaipava, Huyck e a antiga Brazaço-Mapri, entre outras.

A mais recente empresa a inaugurar o sistema de tratamento de efluentes é a Dentsply. Parte das obras foram concluídas no primeiro semestre do ano. A primeira fase da obra foi a montagem dos tanques de tratamento de metais pesados, oriundos do processo de galvanização, com efluentes tipicamente inorgânicos. A outra parte da obra é relacionada com o tratamento do esgoto orgânico que é a maior quantidade de efluentes produzidos dentro da empresa.

Entre as empresas que desativaram as suas unidades em Petrópolis e mantinham estações de tratamento de efluentes (ETE) podem ser citadas a Souza Cruz, em Corrêas que vendeu o prédio para a Cartonagem Imperial, e mais recentemente a Fleischmann. O prédio onde durante décadas funcionou a Fleischmann era atendido por uma estação de tratamento de efluentes do outro lado da rua. Atualmente, a ONG Comando da Paz, presidida por Luiz Eduardo Peixoto, vem realizando encontros na região de Cascatinha com os diretores da empresa e da Águas do Imperador, para que a empresa possa fazer a cessão no intuito de que a ETE atenda a população do Itamarati. Se a proposta for efetivada é a demonstração prática de que as indústrias, sociedade civil e governo podem juntos reverter a grave poluição que existe nos rios da cidade.


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