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    A saúde das águas


Bruno do Nascimento

Diário de Petrópolis

24/08/03



De acordo com Luzinete Batista Macedo de Faria, coordenadora municipal de vigilância sanitária, hoje, cerca de 90% dos esgotos domésticos são jogados nos mananciais e os efluentes químicos das indústrias também são jogados nos mananciais. Ainda segundo dados do IBGE, em Petrópolis, a coleta de resíduos é em 95% dos imóveis e 74% tem acesso à água tratada, sendo que a coleta de esgoto é realizada em 51,23% dos imóveis.

Pela legislação atual não existe mais o conceito, ao nível do Ministério da Saúde, que água boa é aquela água de mina, que veio da natureza e que está pura. Hoje em dia, pela legislação sanitária vigente, qualquer água tem que ser tratada antes de ser consumida, pode ser de mina ou do melhor poço. A Dra. Luzinete se sente uma privilegiada por ter começado o monitoramento da qualidade da água dentro do município para o consumo humano. Através deste monitoramento ela pode atestar como está a qualidade da água consumida em Petrópolis. O município é um dos poucos que faz a vigilância da qualidade de água há dois anos sem interromper. O outro município em todo o Estado é o Rio de Janeiro.

Atualmente a Vigilância no Município realiza 370 monitoramentos/ano e 237 coletas de diagnóstico, só para as pessoas que precisam.

O controle da qualidade da água é feito pela Portaria do Ministério da Saúde 1469/2001. Segundo a Dra. Luzinete o município faz 15 coletas mensais do sistema de abastecimento coletivo e 15 coletas mensais do sistema de abastecimento alternativo, que no caso são os rios, açudes, poços e minas.

A Dra. Luzinete que está à frente da Vigilância Sanitária Municipal chegou a algumas conclusões importantes sobre o seu trabalho junto à população local. Segundo a Dra Luzinete existe uma resistência de muitas pessoas à água tratada. "Na realidade existe uma falsa idéia de que água de mina, água de poço são águas potáveis. Já foram, há 50 anos atrás, atualmente, não é mais porque está ocorrendo desmatamento, a erosão, o assoreamento dos rios, enfim, nossa realidade hoje é outra".

Para a Dra. Luzinete o próprio desenvolvimento industrial tem uma carga de poluente muito grande e com isso se perdeu aquela característica de ter uma água pura, igual àquela que saia da mina antigamente. "Nem lá na ponta do morro ela está mais pura para o consumo". Ainda de acordo com a Dra. Luzinete, as pessoas precisam ter essa consciência, porque enquanto não se mudar o conceito, passando pela educação ambiental, pelo novo modelo de vigilância e saúde, pela promoção da saúde, pelo controle, pela prevenção, tudo isso com o intuito de mudar o comportamento em relação a água para melhorar a saúde da população. Contudo, mudar o comportamento é muito difícil, só se consegue quando o impacto é muito grande. A Dra Luzinete acredita que estamos num momento de impacto muito grande. "As pessoas estão agora percebendo que a água é finita, que ela está sem qualidade. Se a gente não fizer alguma coisa agora, nossos filhos, nossos netos não terão uma água de qualidade. Além de um preço exorbitante daqui a algum tempo, a gente vai ter dificuldade de ter uma água com qualidade".

Entre muitos dos graves problemas no município estão as captações de águas alternativas, presentes principalmente nas localidades que não são abastecidas pelo Poder Público. Segundo a Dra Luzinete, a Vigilância sanitária vem realizando um trabalho junto a essas localidades. "Quando se faz o controle na alternativa em que tenha dado água contaminada, imprópria, a gente tem uma equipe técnica que vai ao local para fazer orientação sanitária para aquelas pessoas, para que elas tratem aquela água (se for a única água a que tenham acesso), para que tenham uma água com mais segurança".

Contudo, a Dra Luzinete explica que existem locais em que apesar de terem uma água tratada, as pessoas mantêm a opção de utilizar uma água sem segurança. Inclusive, existe um processo do Ministério Público sobre o bairro da Glória em que as pessoas estavam utilizando uma água sem qualidade. Segundo a Dra. Luzinete foi pedido que fosse dado por ela um parecer do local. "Vimos o seguinte: eles têm a rede de abastecimento, mas não usam, preferem usar a água da mina. Então as pessoas vão ter hepatite, cólera, diarréia, várias patologias relacionadas à água, porque aquilo estava junto com o esgoto. A outra água é uma água que tem uma biosegurança, só que eles optam por essa. Estivemos no local orientando que deveriam usar outra água".

Para a Dra Luzinete este tipo de realidade no município somente será mudado com muita comunicação. É necessário ter acesso às escolas, para se levar a mensagem de que devemos cuidar da água e que devemos beber uma água com segurança e que não necessariamente a água que as pessoas acreditam que está segura é a ideal para se consumir.


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