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    Exemplos de Trabalhos de Ajuda Mútua - Rede de Trocas


Exemplos de Trabalhos de Ajuda Mútua - Rede de Trocas

O Artigo: "O Reino do Escambos  e dos Mini-empréstimos" informa sobre ações de ajuda mútua nos seguintes países:

1 - França -  os "Sels"
2 - Itália -  tempo também é contado
3 - Japão - os herdeiros do yui e do ko
4 - Argentina - o escambo contra a crise
5 - República dos Camarões - o incentivo do micro-empréstimo
6 - Estados Unidos - o time-dollar da ajuda mútua
7 - Quebec - os sindicatos capitalizam

Fora dos circuitos comerciais tradicionais, redes informais de solidariedade organizam-se através do mundo todo. Longe de ser negligenciáveis, sua ação é hoje levada em conta pelas autoridades.
Trata-se da forma de troca econômica mais antiga do mundo, novamente em voga hoje como símbolo de uma certa modernidade. O escambo é relançado pela economia social. Atualmente, não trocamos mais simplesmente objetos, mas também tempo, ajuda, saber, competências, atenção aos outros. Todos os tipos de pequenas coisas da vida quotidiana que fomentam a solidariedade, alimentam redes e favorecem as relações amistosas, o "viver juntos". Com os sistemas de trocas compartilhados, em todos os continentes desenvolve-se uma economia invisível muito útil. Principalmente quando multiplicada por iniciativas de poupança e de crédito originais. Através da alguns exemplos, uma volta ao mundo (longe de ser exaustiva) do planeta da solidariedade.

1 - França os "Sels"



Grégoire ensina a Bernadette os rudimentos da Internet. Esta apresenta a culinária provençal a Mélusine, que toma conta dos filhos de Bertrand. Cerca de 40.000 franceses ajudam-se mutuamente, através dos Sistemas de Trocas Locais, mais conhecidos pelo nome de SEL (Systèmes de Echanges Locaux). Lançados em 1983 em Ariège, representam hoje quase 400 redes, presentes em 93 departamentos. O princípio é simples: trocar bens, serviços e conhecimentos, através de uma "moeda" local. Nem francos, nem euros circulam nestas novas redes citadinas. os aderentes têm uma conta no Banco dos Sels. Cada favor, cada ensinamento é contabilizado em moeda fictícia. Alguns contam os "grãos de sal -. Outros chamam-no de "pardais" ou de "flores". A maioria dos grupos acolhem entre cem e duzentos aderentes. Os Sels "rurais" destinam-se a uma população com poucos recursos. Os "urbanos", aos que desejam sair do anonimato das grandes cidades. Os Sels são todos diferentes uns dos outros. Essa é a sua força e a sua fragilidade.
 Há três anos, trabalhadores da construção civil, em Ariège, intentaram um processo aos aderentes. Motivo: a construção de um telhado pelos Sels acabou ocasionando um concorrência desleal. O recurso lhes foi desfavorável, mas o episódio ficou gravado nas memórias. Para evitar tais reveses, o Sel de Paris deseja que uma lei reconheça oficialmente a existência destes novos sistemas de trocas. Contudo, sem dúvidas, é ainda um pouco cedo para decisões definitivas para um movimento evolutivo por definição, que ainda não tem dez anos de vida. Etienne Séguier
Contato telefônico: 01 40 24 18 13. Na Internet, você encontrará uma lista atualizada dos Sels da França no seguinte URL: www.selidaire.org/pgacc.html

2 - Itália - o tempo também é contado



Valorizar suas atividades do quotidiano, não assalariadas, é o desafio lançado no início dos anos 90 por um grupo de italianos da região de Bolonha. Em 1991, o primeiro banco do tempo foi criado, baseado no mesmo princípio que o dos Time Banks americanos: ele organiza o planejamento do tempo dos voluntários de acordo com a oferta, a procura e as competências de cada um, depois lança as horas a crédito ou débito. Atualmente, mais de 260 bancos do tempo, que agrupam entre 10 e 100 pessoas, foram recenseados na Itália. Os BDT italianos têm uma especificidade: o vínculo muito forte com as administrações locais, responsáveis, em quase todos os casos, pela sua criação. As prefeituras e serviços sociais oferecem meios financeiros e, às vezes, locais de trabalho. A administração atende assim a um reivindicação dos italianos expressas durante um debate sobre uma "melhor vida social" que atravessou os anos 80. Mesmo se muitas associações acabam fechando porque a "rede de trocas" nem sempre funciona, o sistema de Bancos do Tempo é ainda um excelente meio de aproximar a malha social... e valorizar o tempo das mulheres italianas, em uma sociedade que lhes reserva ainda um papel tradicional.
Dorothée Drevon

3 - Japão - os herdeiros do yui e do ko



À primeira vista, são associações como outras quaisquer. Os seus membros dedicam uma parte de seu tempo a pessoas idosas ou deficientes, proporcionando-lhes ajuda e cuidados. O que há de mais comum. A originalidade do sistema reside na "remuneração" dos "voluntários". Estes possuem uma "caderneta de poupança tempo" a fim de beneficiar de serviços similares ou diferentes, para si próprio ou para sua família. No Japão, país em que a sociedade envelhece rapidamente, estes sistemas de assistência são incentivados pelos organismos públicos como complemento eficaz aos serviços assegurados pelo Estado. Criada em 1999, uma comissão composta por funcionários e cidadãos fixa o âmbito das atividades que estas associações desempenham, assim como as ajudas financeiras de que beneficiam. Desde março de 2000, este Conselho Nacional de Ajuda Mútua entre cidadãos assegura de maneira coletiva o treinamento dos voluntários. Tais redes de permutas não são novas no Japão. Antigamente, a sociedade tradicional funcionava com o "yui" (rede de ajuda mútua para a transplantação de arroz, por exemplo) e o "ko" (financiamento mútuo baseado em depósitos em dinheiro e bens).
Adélaïde Colin

4 - Argentina - o escambo contra a crise



Como na fábula, foi uma simples abóbora que transformou suas vidas. Em 1995, vizinhos solidários da periferia de Buenos Aires criaram um sistema de escambo por acaso, com a permuta de um excedente de produção de suas hortas. A experiência, em primeiro lugar local, passou rapidamente ao nível regional e, em seguida, nacional. Em três anos, milhares de famílias argentinas, vítimas da crise e do desemprego, que não beneficiam nem de subsídios, nem de seguro desemprego, nem de salário-família, aderiram aos clubes de escambo. Hoje, são mais de 400.000 pessoas a trocar produtos ou serviços nos 500 clubes de escambo ligados pela Rede Global. Graças ao sistema elaborado de centralização e de contabilidade em micro-empréstimos, a "moeda social" que materializa o escambo tornou-se uma resposta eficaz à deterioração da qualidade de vida. O governo não tardou a entender a importância desta economia solidária, e declarou recentemente o sistema de "interesse social".
Camille Lamotte

5 - República dos Camarões - o incentivo do micro-empréstimo



Em Ekounou, bairro popular erigido sobre uma colina verdejante de Yaoundé, o ateliê de costura de Estelle tem uma reputação invejável. Há apenas dois anos, esta camaronense de 23 anos ganhava a vida com biscates, remendando manualmente calças e túnicas ou vendendo sonhos à beira da estrada com sua tia. Foi uma senhora de seu bairro que lhe aconselhou ir à antena de ação contra a fome presente em Ekounou. Esta última empresta dinheiro a mulheres que desejam iniciar uma atividade de produção ou de venda. Com 15.000 francos camaroneses (cento e cinqüenta francos franceses), Estelle pôde comprar uma máquina de costura com pedal e montar assim seu pequeno ateliê. O aposento é minúsculo, em concreto armado e chapas onduladas. No entanto, as duas grandes aberturas oferecem uma boa luminosidade. Hoje em dia, Estelle fabrica roupas sob medida, mas também bolsas e bonecas. Seu irmão trabalha com ela, na mesma máquina. Conjugando seus esforços, puderam rapidamente reembolsar a pequena soma emprestada e sustentam desta maneira uma grande família: pai, mãe, avós, primos. Se Estelle não hesitou em se lançar na aventura, é porque o sistema do empréstimo não lhe era estrangeira: a prática tradicional da tontina permite, desde há muito tempo, às mulheres africanas realizarem seus projetos graças a uma cotização a um fundo comum, nos vilarejos ou bairros. As instituições públicas (Ministério das Relações Exteriores, Agência Francesa para o desenvolvimento), as ONG e as sociedades privadas pelo micro-empréstimo desde o sucesso da iniciativa lançada em Bangladesh nos anos 70. Este tipo de financiamento
têm um grande sucesso na República dos Camarões e em toda a África, principalmente nas cidades. Contudo, os seus limites são conhecidos. O micro-empréstimo permite, com certeza, lutar contra a pobreza. Mas unicamente em zonas que já beneficiam de uma atividade diversificada. Dorothée Drevon
Nota do tradutor: trata-se de um trocadilho, pois a palavra francesa "sel" significa "sal".

6 - Estados Unidos - o time-dollar da ajuda mútua



Aos 72 anos de idade, Barbera sente-se às vezes cansada demais para ir fazer suas compras no centro comercial mais próximo de sua casa. Em Brooklyn, as escadas dos imóveis são muito íngremes. Então, duas vezes por semana, ela pede ajuda a Jeffrey, 34 anos, que mora duas ruas mais adiante. Jeffrey ganha assim dois "time-dollars". Ele os reutiliza, passando-os à jovem que vem duas horas por semana dar aulas de reforço escolar ao seu filho. Barbera, quanto a ela, recupera os dois time-dollars gastos lendo contos para as crianças do seu bairro no sábado à tarde... Em trinta cidades dos Estados Unidos, comunidades se formaram para beneficiar desta nova categoria de moeda não sujeita a impostos. Pode haver tanto comunidades que reúnem 200 pessoas idosas que desejam ser auxiliadas a qualquer momento, como em Miami, quanto 70.000 pessoas de todas as idades, como é o caso do bairro pobre de periferia de Saint-Louis. Para cada serviço prestado, um certificado é assinado pelo beneficiário. Um Time Bank gerencia as contas de cada um e centraliza a oferta e procura de serviços. "O time-dollar baseia-se na idéia de que todo mundo precisa de todo mundo", explica Edgar Cahn, presidente fundador do Time Dollar Institute de Washington. "É um meio para que os estranhos tornem-se vizinhos e que os vizinhos tornem-se amigos. Neste sistema, mesmo aqueles que não beneficiam da economia de mercado têm uma riqueza a oferecer".

7 - Quebec - os sindicatos capitalizam



Empregado e acionista! Em Quebec, o principal fundo de pensão é detido pelo primeiro sindicato da Bela Província: a Federação dos Trabalhadores de Quebec. Mais de 400.000 trabalhadores confiaram-lhe suas economias a fim de assegurar uma melhor aposentadoria, ou seja, um em cada nove ativos. As ambições destes fundos não mudaram desde a sua criação em 1983: fazer frutificar as economias de seus acionistas e manter o emprego. Em dez anos, este Fundo de Solidariedade - seu nome oficial - pode se gabar de uma rentabilidade média de cerca de 7%. No tocante ao empregos, 1.600 empresas beneficiaram de seus investimentos. O resultado foi a preservação ou a criação de 90.000 postos. O Fundo investe tanto em empresas tradicionais como em sociedades novas, com boas perspectivas.
Ele foi também o primeiro a apostar no futuro das biotecnologias. Nenhuma iniciativa similar existe por enquanto na França.
Contudo, no outono passado, a CFDT exprimiu sua intenção de seguir este exemplo, a fim de poder avaliar com pertinência a mundialização.
Etienne Séguier
Fonte:

 www.place-publique.fr/esp/richesse/poncifsport.html#troc

 


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