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    O que são Clubes de Troca?


O que é uma rede de troca?


Uma rede de troca é uma união voluntária de cidadãs e cidadãos que estabelecem um intercâmbio de favores usando uma moeda local ou social. Esta moeda permite a troca indireta, estável, organizada e permanente, entre pessoas que não necessariamente se conhecem. Assim pode ser criado um sistema econômico local, que complementa a economia oficial, gerando um intercâmbio de produtos e serviços que não costumam ser encontrados no mercado formal, ou os quais nem todos tem acesso.
 
Porque precisamos de uma nova moeda? Não é possível fazer trocas sem nenhum registro?



 
Naturalmente que sim. Uma rede de troca pretende aumentar o número de trocas espontâneas e sem registro entre os usuários, assim como presentes, favores e todo tipo de intercâmbio solidário. A moeda serve somente para estruturar e dar maior força a troca permitindo que esta possa ser indireta, ou seja: Por coisas de valores diferentes. Em momentos diferentes, e não necessariamente entre as mesmas pessoas, permitindo triangulações que não poderiam acontecer sem a existência de uma moeda local.
 
A lei permite este tipo de intercâmbio?

Sim, porque se trata de uma rede de favores em que não costumam fazer parte serviços formais registrados legal e economicamente pelo estado e pela economia oficial. Quando a rede cresce e nela entram produtos e serviços que tem relevância econômica (como quando empresas oferecem parte de suas vendas através da moeda local, ou quando um profissional oferece seus serviços dentro da rede, é possível, segundo a legislação local vigente, que seja necessário regularizar a rede de forma legal.

De quem foi a idéia de criar as redes de troca?


Trata-se de uma nova invenção que nasceu no Canadá em 1982 a partir das muitas experiências anteriores de trocas. Desde então a idéia se expandiu em todo o planeta, muitas vezes sem saber que já existiam em outras partes, como ocorreu na Argentina.
Argentina é o pais com mais redes de troca no mundo, com cerca de três milhões de prosumidores: usuários, que são ao mesmo tempo produtores e consumidores.
Também as empresas e o estado estão começando a participar nas redes: algumas administrações locais permitem o pagamento de impostos atrasados com serviços ou moeda local, e oferecem moeda local aos que precisam de assistência do estado: comida, serviços sanitários, atenção especial para idosos, ou incapacitados, para que eles resolvam por si mesmos nas redes essas necessidades.
O potencial das redes é infinito, e na medida em que se resolvem as necessidades locais depende unicamente da capacidade de organização e da imaginação de cada comunidade.
Na Austrália constróem até casas com moeda social. Na rede de troca podem ser trocados todo tipo de produtos e serviços, desde acessórias contábeis até aulas de yoga ou francês, introduzindo novas possibilidades que não existem no mercado formal, tais como fazer compras para outra pessoa, cuidar de um gato ou uma planta, lavar os pratos de uma festa, pintar um muro, plantar uma árvore, fazer tortas e salgados. A moeda social e muito diferente do dinheiro: a escassez se transforma em abundância, a competência em cooperação.
Não existem créditos nem interesses, e todos tem o mesmo acesso a moeda.
Muitas tarefas e habilidades são postas em prática, permitindo às pessoas conhecer e desenvolver habilidades e serviços, que mais tarde podem ser usados no mercado formal.
As pessoas realizam-se fazendo trabalhos que gostam de fazer: poesias, quadros, artesanatos... permitindo melhoras também em nível psicológico de cada usuário, que se sente útil, auto-realizado e estimulado com as novas coisas que pode oferecer, e com as que podem receber em troca boa parte de seu sustento.
Podem emprestar ferramentas, eletrodomésticos, uso de computador, acesso a Internet, uma fotocopiadora, um cortador de grama, etc.

A imaginação é o limite!
Existem duas formas de realizar o intercâmbio:
Nas Feiras de Troca semanais, ou usando o Boletim de Serviços:

O que é o Boletim de Serviços?


É um pequeno livro onde você encontrara todos os serviços oferecidos dentro da Rede bem como os nomes, telefones e endereços dos usuários.
Quando encontrar uma serviço de seu interesse, você entra em contato com a pessoa que esta oferecendo o serviço, combina os termos da troca: quantidade de moedas, qualidade do serviço dia e local, e realiza a troca.

Como se inscreve um novo usuário?


Quando alguém quiser unir-se á rede, vai á um dia de feira, procura alguém da Coordenação, que explicara tudo que você precisa saber, lhe dará um Guia do Usuários e uma Ficha de Inscrição para que possa colocar seus dados e os serviços e produtos que gostaria de oferecer a rede, assim como as demandas estáveis que queira da rede. Estas ofertas e demandas serão introduzidas na edição seguinte do Boletim, editado mensalmente. Após participar de três feiras, o usuário, que já se familiarizou com a dinâmica da rede, recebe moedas, com a condição, de que devolvam a mesma quantidade no caso de deixar a rede.  O novo usuário pode, sem dúvida, fazer troca antes de receber a moeda social durante as três primeiras semanas, oferecendo produtos e serviços a Rede, com os quais poderá receber Luas. A moeda social não deve ser acumulada, já que isto dificulta o fluxo natural de produtos e serviços na Rede, e de nada serve a quem faz poupança. A abundância econômica das redes torna desnecessário o acúmulo. Nesta nova lógica econômica, não e a moeda que tem o valor e sim a atividade econômica gerada, que pode ser registrada com ela para facilitar o intercâmbio.
 
E quem dirige a Rede?


Ninguém e todos ao mesmo tempo. A lógica econômica horizontal das redes e contagiada ao nível político, fazendo delas unidades de decisão altamente democráticas, onde as propostas de todos são analisadas por igual, de forma horizontal e consensuada. Sem dúvida, existe um grupo que coordena a Rede que se chama Coordenação. É formada por cinco a dez usuários que exercem a coordenação por períodos de três ou seis meses. Os cargos de coordenação são rotativos entre os usuários da Rede que queiram participar dela.
As tarefas da Coordenação são fáceis de fazer, exigem pouco tempo e justamente só um pouco de coordenação.
Para garantir o sucesso e continuidade da Rede, é necessário que as tarefas sejam sempre registradas para as coordenações seguintes, e que mais e mais usuários participem nelas, assegurando que a Rede seja sustentada por uma maior número de pessoas, evitando a dependência excessivas sobre poucas pessoas. As Feiras acabam tornando-se muito mais do que um lugar onde fazer trocas sem dinheiro: é uma festa onde a gente se conhece, criam-se novos projetos, cresce a auto-estima do bairro, seus recursos e sua qualidade de vida.

Fonte: http://www.13luas.art.br/rede%20de%20trocas/


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